“Pela primeira vez um governo vê a educação como problema e não como solução”, diz Renato Janine Ribeiro

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Ex-ministro palestrou durante Seminário Internacional da UFRGS

O corte de 30% nos orçamentos das instituições federais de ensino tem um viés puramente ideológico, além de ser inconstitucional e ilegal, na avaliação do ex-ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro. Ele foi um dos palestrantes do Seminário Internacional “Universidade, Sociedade e Estado”, promovido pela UFRGS, nesta quarta, dia 8.

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Desde o anúncio dos cortes, nós já ouvimos quatro versões diferentes para o mesmo fato. Primeiro, que a medida atingiria apenas três universidades, e que o motivo seria a balbúrdia. Num segundo momento, o governo abrangeu todas as universidades. Depois, declarou que a verba seria transferida para a educação básica e, por último, disse que o corte seria por falta de verba mesmo. Ou seja, um governo dar diferentes versões para uma decisão tão seria é algo muito preocupante”, alertou.
O ex-ministro também enfatizou como as universidades podem se articular para mostrar à sociedade o seu papel como produtoras de conhecimento e de desenvolvimento.

Referindo-se ao momento “sombrio, de obscurantismo”, que atravessa o Brasil, o presidente da ADUFRGS-Sindical, Paulo Mors, lembrou que “o mentor intelectual da família que governa o país é um astrólogo da Virgínia” e que “ideias como terraplanismo e assemelhados são discutidas e levadas a sério”.

Respondendo à pergunta de Mors sobre como poderemos nos contrapor a este preocupante cenário, Renato explicou que sempre, depois de uma eleição, existe um fenômeno chamado “terceiro turno”, que é quando “os governantes são postos à prova”. Ele relembrou fatos da história brasileira recente, como o impeachment sofrido pelos presidentes Collor e Dilma. “Em 2005, o mensalão quase levou Lula embora, Fernando Henrique teve um segundo mandato conturbado e Itamar Franco virou chacota pública.” O ex-ministro enfatizou a falta de unidade e harmonia no governo Bolsonaro, bem como as polêmicas envolvendo seus filhos. “O que estamos vendo é um governo dividido e não sabemos se ele vai conseguir se estruturar ou se manter. Há certa instabilidade política e, talvez, o fator mais grave seja o cultural, com muitas pessoas acreditando em inverdades, o que, hoje, é o fator mais preocupante”, finalizou.

O Seminário Internacional foi realizado pela Associação de Universidades Grupo Montevidéu (AUGM), em parceria com o Departamento de Difusão Cultural da UFRGS, e recebeu reitores de instituições de ensino superior do Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.



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