Entidades da educação debatem mercantilização e privatização do setor em São Paulo

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ADUFRGS-Sindical participou do evento

Nos dias 7 e 8 de maio (quarta e quinta-feira) aconteceu em São Paulo, o seminário “Processo de Privatização e Mercantilização dos Ensinos Básicos e Superior no Brasil”. O evento é mais uma ação do PROIFES-Federação e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), com apoio da Friedrich-Ebert-Stiftung Brasil (FES Brasil), no contexto da campanha mundial da Internacional da Educação (IE) “Educar, Não Lucrar.

A IE lidera mundialmente uma resposta global à privatização e ao comércio educativo por meio de estudos, pesquisas e estratégias. O objetivo da campanha é garantir que a educação permaneça como um direito e não um serviço a ser comercializado.

A ADUFRGS-Sindical esteve no evento na delegação do PROIFES. O diretor da ADUFRGS, Eduardo Rolim, afirmou que o sindicato e a federação estão na luta contra a privatização do ensino. “Junto com a Internacional da Educação, nossas entidades estão desenvolvendo projetos para entender como funciona o processo de privatização porque hoje ele é muito mais complexo e abrangente do que era no passado. Não se trata mais só de comprar escolas, mas de venda de material e investimentos financeiros na bolsa”. Rolim destacou que as entidades se reuniram também para pensar estratégias de mobilização dos professores da educação superior e do ensino básico e também da sociedade em defesa da educação. “Esse seminário está combinado com todos os ataques que a gente está sofrendo do governo, que vão do corte de verbas, inclusive na pesquisa, à criação de fundos que vão substituir fundos públicos, além dos atuais cortes lineares nas instituições federais. Precisamos todos entrar neste luta”.

https://www.youtube.com/watch?v=OJMFfH9pRQs

No evento, o PROIFES fez a análise das políticas do Ministério da Educação (MEC), sob o atual governo, para a Educação Superior, para isso utilizou dados da Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (ANFIP) e da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (FENAFISCO), no âmbito do projeto “Reforma Tributária Solidária”, que conta com apoio de entidades como o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e Fundação Friedrich-Ebert-Stiftung Brasil (FES Brasil), entre outras. A conclusão alarmante é que a asfixia gerada pela Emenda Constitucional 95 está criando, com muita velocidade, as condições necessárias para que não haja alternativa à privatização do Ensino Superior no Brasil.

gil proifes

Para Nilton Brandão, presidente do PROIFES, o evento se destaca pela “articulação para a mobilização da educação contra os ataques à educação brasileira, em especial, neste momento, o ataque às universidades brasileiras. O PROIFES está convocando os professores das universidades para o próximo dia 15 de maio, data importante para a construção de um movimento que envolva toda a sociedade, para mostrar que a reforma da Previdência é para acabar com a proteção social do trabalhador brasileiro”, destacou o presidente, acrescentando que há também no evento a preocupação de construção de “uma grande agenda nacional, que em diversas datas combata os cortes na universidade brasileira, e da defesa da pauta da inclusão social e racial ocorrida nos últimos anos nas universidades e institutos federais.”

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Nos

dois dias do evento, os debates também trataram das estratégias do setor privado para acessar o mercado público de educação, hoje o principal alvo dos grandes grupos de capital financeiro.

Em painel coordenado pelo professor Roberto Leão, Secretário de Relações Internacionais da CNTE e Vice-Presidente da Internacional da Educação, a pesquisadora e professora da Universidade de Campinas (UNICAMP), Theresa Adrião, que coordena o Grupo de Estudo e Pesquisa em Políticas Educacionais (GREPPE), falou sobre como o setor privado tem acessado as redes estaduais de educação e dos impactos que as políticas e programas educacionais têm sofrido com esse processo.

Theresa Adrião

“Hoje é possível identificar a privatização da educação de três formas: através da oferta educacional, pela via da gestão da educação pública e com a elaboração de currículos”, pontuou. Em sua visão, essa lógica empresarial já tem aprofundado as desigualdades educacionais, especialmente para os mais pobres. “Os sindicatos e demais entidades da sociedade civil organizada precisam estar articuladas para o enfrentamento aos processos de privatização. Em unidade, a defesa do direito à educação será potencializada”, concluiu.

Confira os depoimentos de representantes de entidades presentes no seminário.

https://www.youtube.com/watch?v=qYyz3jxk50g

https://www.youtube.com/watch?v=lvXCeZe183w

https://www.youtube.com/watch?v=8DuzbHjOWB0



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