Encontro Nacional do GT Direitos Humanos
Relações entre raça, gênero e classe nos movimentos sindicais e sociais foi tema

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Um amplo debate sobre a interlocução entre gênero, raça, classe e sexualidades, tanto na sociedade, quanto dentro dos movimentos sindicais abriu o I Encontro Nacional do Grupo de Trabalho Direitos Humanos: raça/etnicidades, gênero e sexualidades do PROIFES-Federação. O evento, sediado pela Apub, acontece neste quinta-feira, 30, e sexta-feira, 1, no auditório do Instituto de Biologia da UFBA e recebe as delegações da ADURN-Sindicato, ADUFRGRS Sindical, Sindiedutec, SINDUFMA, Adufsc, ADUFC, Adufg e Adufscar. O reitor da UFBA, João Carlos Salles também esteve presente.

Criado a partir de uma demanda docente em um dos Encontros Nacionais do PROIFES, o Grupo de Trabalho se desenvolveu durante os dois últimos anos, construindo o debate sobre as políticas da Federação para os Direitos Humanos. Na Bahia, a Apub organiza uma seção local do GT: “nossa primeira atividade foi na ocupação dos estudantes na reitoria aqui da UFBA”, lembrou a presidenta Luciene Fernandes durante a mesa de abertura. Ela também ressaltou a participação ativa da Apub nas reuniões nacionais do GT e a necessidade de se discutir essas temáticas, “que são estruturantes do momento em que vivemos hoje. Precisamos nos articular e continuar avançando na luta”.

A mesa de abertura também foi composta pelo professor Eduardo Oliveira (ADUFRGS Sindical), coordenador nacional do GT, pela diretora da Apub Leopoldina Menezes, da coordenação local, Ana Maria Guedes do Grupo Tortura Nunca Mais, professora Gilka Pimentel (ADURN Sindicato/PROIFES) representando o presidente do PROIFES, Eduardo Rolim e Laís Chagas do Coletivo baiano da luta antimanicomial. Laís explicou o trabalho do Coletivo e seu esforço de transformar a relação da sociedade com as pessoas que sofrem mentalmente. E, num quadro de perda de direitos, as pessoas com transtorno mental são também alvos de opressão: “nós vemos hoje o sequestro de filhos das usuárias de crack no Brasil”, alertou. A desconstrução das conquistas sociais torna a discussão sobre direitos humanos ainda mais urgente na opinião de Ana Maria Guedes, que expressou sua preocupação com a rapidez com que o governo pós-golpe conseguiu destruir conquistas históricas dos trabalhadores: “não é a ditadura militar, mas uma outra forma de repressão”, disse. Eduardo Oliveira destacou a satisfação em realizar o primeiro encontro: “foi um intenso trabalho da Federação e da Apub; e já passou da hora de discutir esses temas. No Brasil, mata-se uma pessoa transexual a cada três dias e um LGBTT a cada 24 horas. Nosso país é o que mais mata transexuais no mundo”, alertou. “Consideramos essa temática como parte da luta de uma Federação”, completou a professora Gilka, que também abordou o momento de avanço da intolerância e discriminação, além da votação em comissão da Câmara do projeto que proíbe o aborto mesmo em casos de estupro: “querem legislar sobre os nossos corpos e os nossos desejos”, denunciou ela.

 

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