ADUFRGS-Sindical faz dez anos como sindicato

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Transformação da entidade está vinculada à criação do novo movimento docente

Há dez anos, no dia 3 de dezembro de 2008, a ADUFRGS se transformava em sindicato. A história dessa mudança está vinculada à ideia de um novo movimento docente que abarcasse múltiplas visões sobre a atividade sindical, mas que fundamentalmente, defendesse a valorização da categoria, a educação pública e melhorasse a carreira.

O presidente da ADUFRGS, Paulo Machado Mors, lembra que a decisão de transformar a associação em sindicato está intimamente ligada à criação do Proifes-Federação. “As duas entidades fazem parte da criação desse novo movimento docente sindical no país”, disse. Paulo aponta que ADUFRGS e Proifes têm a mesma filosofia: a pluralidade de ideias. “Nós trabalhamos com uma base ideologicamente heterogênea, com direções de pensamento político plural, mas que têm em comum a defesa do professor de instituição federal de ensino superior e da democracia”.

A própria criação da ADUFRGS, ainda como associação em 1978, se dá no contexto da redemocratização do país e da universidade pública. Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) fundaram a associação e 30 anos depois, em 2008, o transformaram em sindicato. “A história vitoriosa da ADUFRGS, criada a partir de uma decisão corajosa dos professores da UFRGS, revela a capacidade de visão de futuro dos docentes que optaram pela construção independente de um sindicato com uma nova forma de fazer política e de construção do movimento docente no país”, aponta Nilton Brandão, presidente do Proifes-Federação.

Naquela época, o professor Eduardo Rolim, atual diretor de relações internacionais do Proifes e de relações sindicais da ADUFRGS, era o presidente da ADUFRGS. Ele conta que a criação do sindicato foi um processo que coroou uma série de mudanças que foram acontecendo desde 2002 e 2003, “quando a ADUFRGS e outros sindicatos decidiram que não era mais possível seguir aquele caminho como movimento docente”.

Alguns eventos precipitaram essa decisão, explica Rolim. “Começa em 2003, com a greve bem no início do novo governo e culmina em 2004, quando o sindicato que representava os professores decide não negociar com o governo federal e terminamos o ano com um reajuste menor do que a proposta do governo”. Ali, conta Rolim, os docentes perceberam que aquele sindicato não tinha capacidade de negociar e havia se transformado em uma “cadeia de transmissão” de um partido político. “Quando todas as categorias avançavam na carreira, os professores federais eram cada vez menos valorizados, sem perspectivas, sem negociação”. A condução do processo levou a um desgaste que se espalhou por todo o país e abriu espaço para a criação do Proifes-Federação.

Dez anos depois, Rolim acredita que a decisão foi correta. “Esse processo mudou a cara do movimento docente no Brasil. Não teríamos conquistado a paridade, a carreira do EBTT, a incorporação das gratificações. Tudo isso foi fruto de um processo, de uma nova estrutura sindical que foi construída também pela ADUFRGS”.

Outros dez anos

Os próximos dez anos serão de muita luta, prevê Rolim, que foi também o primeiro presidente do Proifes-Federação. “O governo Bolsonaro tem cara de ser um governo de crise, de tensionamento, um governo de repressão. Se quiserem sobreviver, os trabalhadores terão a obrigação de lutar muito. Para isso, vão precisar de uma entidade sindical forte, que seja capaz de lhes dar guarida para que a luta. A ADUFRGS está preparada para isso”



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