Artigo
A absurda punição da professora Maria Denise Bandeira
Por: Flávio Cauduro (professor aposentado da Ufrgs e voluntário da organização Amor-Exigente
Acompanhamos pela mídia, em setembro de 2009, o desenrolar do ato praticado por um aluno da Escola Estadual de Ensino Médio Barão de Lucena, de Viamão, qual seja, a pichação de paredes da referida escola. Pelas informações veiculadas no jornal Correio do Povo, não foi a primeira nem a única vez que este estudante danificou a pintura das paredes da escola.
A professora Maria Denise Bandeira, vice-diretora, tomou a atitude educadora de fazer com que o referido jovem limpasse e pintasse as paredes que havia pichado. O procedimento da professora, que deveria ter recebido todo o apoio, acabou provocando abertura de processo pela justiça (?). A reportagem do Correio do Povo, de 5 de dezembro, informa que ela assinou acordo para pagar multa no valor de meio salário mínimo para evitar processo criminal proposto pela promotora de Justiça da Infância e da Juventude, Daniela Lucca da Silva. Que absurdo! Que exemplo e que sinalização esta promotora dá à sociedade! A isto se chama de impunidade. Esta promotora não deve saber que todo ato praticado tem uma conseqüência. Ao tomar esta atitude absurda, a referida promotora: a) está subtraindo a autoridade de uma educadora; b) está autorizando e incentivando que atos como o referido sejam praticados pelos jovens. É desta forma que se inicia e se enraíza a impunidade neste país, fato tão abominado pela “sociedade de bem”.
A atitude da professora impôs limites e trilhou o caminho para a formação de um cidadão íntegro, honesto e do bem. A atitude da promotora trilhou o caminho oposto, o do “jeitinho”, o de passar a mão por cima, do coitadinho, do jovem que deve ser protegido faça o que fizer. Não é este tipo de “proteção” que formará o bom cidadão. Os alunos daquela escola provavelmente serão incentivados a seguir o exemplo do pichador, pois sabem que nada vai acontecer e que a multa aplicada à professora irá engordar o Fundo Municipal da Criança e do Adolescente. É isto o que o ato da promotora provavelmente acarretará. A
sociedade quase diariamente assiste indignada a membros do atual Governo Federal, bem como de outros agentes estaduais, colocando dinheiro em cuecas, meias, pastas, etc., dinheiro este pago como impostos pelo sofrido povo brasileiro. A ação da promotora tem tudo para que fatos como estes não só se perpetuem como aumentem em nosso país. Estamos assistindo em nosso país o comportamento violento e autodestrutivo alastrar-se entre os jovens. Os desajustes e a inadequação tornam-se uma realidade crescente em nossa sociedade. Os jovens são naturalmente mais atraídos para a aventura, o risco, do que para o certo, o bem-comportado. Ao não concordarmos com o que está ocorrendo, atuamos como voluntário no programa Amor-Exigente. O lema central do Amor-Exigente é: Nós o amamos, mas não aceitamos o que você está fazendo de errado! É o que fez a professora Denise. Parabéns! Sugiro à promotora Daniela pensar sobre isto.
Professora Denise: a senhora tem todo o nosso respeito, solidariedade e admiração pelo seu ato. A senhora é uma verdadeira educadora. Não esmoreça. O Brasil precisa de pessoas de bem e que tenham clareza do que significa educar. Seu exemplo dignifica nossa classe, pois também fui professor. Basta de sermos o país do “jeitinho”, da “sacanagem”, da impunidade e de que tudo é permitido. Moralidade e sobriedade, já.
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