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Vida no Campus
O fascínio que vem do céu
Por: Maurício Boff
Entre todos, Pedro foi o único que teve coragem. Pedro poderia ser Paulo, José ou João Antônio. Conhecer – ao invés de proteger por vocação – foi a prova da bravura. Aconteceu em um domingo de agosto, mas poderia ser julho – ou setembro. Naquele final de tarde de agosto, o vento gelado fazia flutuar umas poucas folhas que, apesar do inverno, teimavam atadas à copa das árvores do Campus Centro. Excepcionalmente, o museu estava aberto naquele dia. Um último grupo de professores e estudantes visitava a exposição “Em Casa, no Universo” quando Pedro pediu à Direção para deixar as portas abertas por um pouco mais de tempo. A diretora da instituição, Cláudia Porcellis Aristimunha, lembra que o grupo de seguranças da Ufrgs estava curioso não apenas para conhecer a arte e a cultura que protegiam, mas para aprender sobre as estrelas, os planetas e o Universo. “Nessas horas, entendemos o valor do nosso trabalho”, diz.
O fascínio que a observação do céu produz nas pessoas, a necessidade de popularizar o estudo científico e celebrar esse ramo do conhecimento humano levou a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a União Astronômica Internacional a promoverem 2009 como o Ano Internacional da Astronomia. Centenas de atividades educacionais foram organizadas nos 137 países (entre eles, o Brasil) que participaram oficialmente do evento. Uma das ações mais significativas foi a “100 Horas de Astronomia”, realizada em abril e considerada a maior divulgação da Astronomia na história da Humanidade. O objetivo foi envolver clubes de astronomia, planetários, entidades astronômicas profissionais e museus de todo o mundo para levar às pessoas a realizar as primeiras observações do céu, assim como fez Galileu Galilei com o telescópio há quatro séculos. A UNESCO estimou que mais de um milhão de pessoas participou da atividade. O Museu da UFRGS, que também esteve no evento mundial irá manter a exposição "Em Casa, no Universo" até maio de 2010. Todos os dias, de segunda a sexta-feira, dezenas de estudantes, professores de escolas públicas e privadas de diversos municípios gaúchos e o público externo, como o cidadão portoalegrense, visitam a mostra. “O aluno aprende sobre o Sistema Solar em sala de aula e vem aqui comprovar”, comemora a historiadora do museu, Lígia Ketzer Fagundes. Nem toda escola possui um laboratório adequado para observar o porquê dos anéis de Saturno, das luas de Júpiter e dos desafios do Homem em responder ao questionamento do novo milênio: existe vida em outro planeta além da Terra? A resposta, independente de qual seja, causará um impacto profundo no pensamento humano e os cientistas acreditam que poderá acontecer em poucas décadas.
Entender que o Homem e os problemas do cotidiano são como grãos de areia na poeira cósmica pede uma profunda reflexão – e que precisa ser exercitada, entende o curador da exposição e diretor do Observatório Astronômico da UFRGS, professor Basílio Xavier Santiago. Um exercício básico começa por analisar, em perspectiva, o simples desaparecimento de uma barra de chocolate do armário da cozinha frente a Terra e a imensidão do Cosmos. A vida ganha outro sentido se pensarmos que nossa cidade está inserida em um estado, que integra um país, que compõe um continente, limitado geologicamente por oceanos, que moldam a Terra, composta de uma Lua, que orbita uma estrela (o Sol), que junto com outros planetas definem o Sistema Solar, que é um pequeno grão para nossa galáxia (a Via Láctea), que é uma entre centenas de bilhões no Universo, que os cientistas conseguem medir com precisão a idade e a composição química, mas desconhecem exatamente onde termina. A análise em perspectiva leva às pessoas a refletirem em profundidade ao resgatar um mundo de ideias e de concepções em que o conhecimento é uma forma de riqueza – e que o repentino desaparecimento do chocolate causa um trauma gustativo, pelo menos, menos amargo. “A exposição demonstra que o conhecimento pode – e deve – ser passado de um cidadão para outro, além de ser acumulado através de gerações”, defende o curador.
Academia Brasileira de Ciências e novo Observatório
O ano de 2009 foi especial para o Departamento de Astronomia do Instituto de Física da Ufrgs. Ao completar 50 anos, o Instituto iniciou as atividades do Observatório do Campus do Vale e recebeu a nomeação da Chefe do Grupo de Pesquisa em Astrofísica, professora Thaisa Storchi-Bergman, para a Academia Brasileira de Ciências.O novo Observatório do Campus do Vale (OCV) iniciou oficialmente suas atividades na no dia 18 de dezembro, realizando observações de diversos objetos astronômicos – incluindo os planetas Júpiter e Urano, os aglomerados estelares 47 Tuc e Messier 41, além da Nebulosa de Órion.
Além de Thaisa Storchi-Bergman, o professor e pesquisador da Ufrgs, Moacir Wajner - pós-doutor em erros inatos do metabolismo pelas Universidades de Londres (Inglaterra), de Heidelberg (Alemanha) e New Haven (EUA) - também foi nomeado para a ACB. Ele passou a integrar a seção de Ciências Biológicas.
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