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Clarissa Pont

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Engenho e arte
Em uma das maiores densidades urbanas brasileiras,
uma casa bioconstruída modifica, com arte, a lógica do desperdício.
Por: por Clarissa Pont (texto e foto)
São Paulo é uma cidade onde são construídos 400 prédios por ano. Somando edificações residenciais e comerciais, são mais de 28 mil, segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Entre tanto cimento, aço e tijolo, uma experiência no Bairro Campo Belo, ao lado do aeroporto de Congonhas, une lixo, sobras de demolições e técnicas de bioconstrução para provar que é possível construir de um modo diferente. A Casa dos Hólons existe há quatro anos sacudindo conceitos de arquitetura e aproveitando a água, gerando energia e produzindo fertilizante.
A casa é a evolução de um projeto anterior, chamado Jacutinga Centro Cultural, também em São Paulo. A diferença é estar encravada na segunda maior cidade da América Latina, e não na zona rural. “No momento da formação e do desenvolvimento das primeiras obras no Jacutinga, havia a necessidade de um imóvel de apoio. É um projeto urbano e um projeto de convergência. O Jacutinga, a Casa dos Hólons e o Sítio do Ecocentro, no extremo sul da cidade, são como uma rede bioregional. A casa é o núcleo mental e demonstrativo de toda esta rede. Existe um plano de atuação dentro da cidade, buscando minimizar os efeitos de impacto no planeta”, revela Tomaz Atlau, organizador do projeto. Para Atlau, a casa funciona como criadora de estímulo para as pessoas serem tecnologicamente e ecologicamente sustentáveis. “Um carpete de madeira, por exemplo, é mais barato do que tirar a madeira antiga do chão, lixar, restaurar e colocar de novo. A gente quer mudar a mentalidade do transformador aqui, não só a do excluído. Terminar com o preconceito de quem tem dinheiro. Se você trabalha com o rico, o estudante, o transformador, você gera outros exemplos”, argumenta Atlau.
“Quando a gente chegou aqui, deu um polimento na casa principal, construiu uma das cabanas do pátio, reformou as outras duas. O teto vivo que fizemos é uma mudança de cobertura no telhado. Em uma casa normal, você pode preparar uma estrutura mais forte, colocar terra e plantar em cima. A gente trouxe uma terra muito rica e não plantou nada, nasceu o que já estava ali. Temos tomate, orégano, mamona, caruru, picão, deve ter umas 30 espécies de plantas no nosso teto”, enumera Luiz Vieira, catarinense que trabalha com bioconstrução em São Paulo há dois anos e é responsável pela parte técnica e educacional da casa. As construções foram feitas com material recolhido em obra, garrafas, há uma parede trançada feita com mangueiras de hidrante, as telhas são reaproveitadas, até os pregos são juntados na rua. O trabalho com madeira, a construção e os aquecedores solares da casa foram feitos por Vieira. A horta está no meio de um círculo de bananeiras e é irrigada com a água do chuveiro. “A gente recolhe a água de um pouco mais da metade dos telhados da casa. Guardamos para aproveitamento de rega de plantas, porque aqui tem uma época de seca muito grande. A gente economiza na água e diminui o consumo do sistema público. As águas cinzas, a gente reaproveita com um sistema de tratamento, nossa água suja também não volta para o sistema público”, conta Vieira.
Para Chelah Gonzá, gaúcho radicado nordestino e arte educador, a idéia é mostrar conceitualmente a diferença entre o que se entende por lixo. “O que é<
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1. Moeda solidária usada durante o Fórum Social Mundial 2005, em Porto Alegre.
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